Poeta André Vasconcelos

Poeta André Vasconcelos
Mensageiro Natural de coisas Naturais

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Silencio



Silencio

Foi naquele dia que o silencio imperou.
Foi forte traiçoeiro trazia dor.
Aconteciam diversos lampejos que meu peito confortou.
Meus olhos respondendo e assim se declinou.

Com a velocidade da luz e mais lento que o próprio pensamento.
Outra vez ao relento na viagem o congelamento num momento propenso.
Inesperado aconteceu, meu peito adormeceu o coração acolheu.
O silencio ocorreu.

A noite parece trazer a impunidade e com ela vem o mau caráter.
O vento o frio peculiar do nosso bairro, coisa de momento.
Lá vem o carro em alta velocidade tentando invadir privacidade.
É comum nessa triste cidade ser invadido e agradecer por não ser penalizado.
Silencio, silencio.

Não corre, escuta se apavorar tem um revolver em sua nuca.
Espere, acredite é somente averiguação se não houve reação eles vão embora presta atenção.
Encosta todos os cinco não tem nada a dever eles revistam já eles voltam para o role.
Foi tudo muito rápido coisa de instantes e lá vão os quatro mais se eram cinco está faltando o vulgo (Preto) o neguinho.

Nesse tempo já não há ninguém na rua que possa ver, o neguinho ser levado sem ter nada a dever.
Pele escura, vida dura, para nós da comunidade um guerreiro, para a polícia diversão da madruga, para matar mais tarde a noite escura dos covardes.
Silencio e no peito uma bala que arde e mesmo que seja tarde esse não volta mais.

Os quatro correndo em disparada sem destino certo apenas fugindo da bala.
Se alguém viu, fingiu não ver e se a noite é de ninguém é menos um preto a sobreviver.
No silencio da madrugada os sobreviventes com calma se é que isso possível fosse sem alarde, e com a morte do preto que era preto não só no nome e que virou brincadeira dos homi.

Olharam-se entre eles e puderam concluir, porque mataram o neguinho e nos deixaram fugir.
Na mesma pergunta a resposta o nosso companheiro que trabalhava e que era um gladiador era NEGRO e os outros BRANCOS de cor.
E para mídia que insiste em dizer que o racismo acabou eu mando essa mensagem de dor.
Que a cada negro que morre o branco vira doutor.

Silencio, silencio...
Era o que dizia o apresentador, o negro morreu porque com ele droga se achou.
Porem todos sabem que a morte do gladiador da periferia tinha apenas um motivo.
E na comunidade morre nosso gladiador por conta da madrugada e por causa da sua cor.

E o silencio mais uma vez se calou...
André Luis 

2 comentários:

Daniela Mara disse...

André... essa poesia realista me fez lembrar a letra de TRIBUNAL DE RUA: O cano do fuzil
Refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E quem me viu, único civil
Rodeado de soldados
Como seu eu fosse o culpado
No fundo querendo estar
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Nem que seja dentro de um carro importado
Com um salário suspeito
Endossando a impunidade
A procura de respeito

Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua
Nesse tribunal
Nesse tribunal de rua

Ramon Alcântara disse...

Salve!